domingo, 24 de janeiro de 2016

Custo de armazenar energia em baterias cairá 70% até 2030

Publicado por Indústria Hoje

Os altos custos de sistemas de bateria hoje impedem que operadores de usinas os utilizem em escala comercial.
Energia em baterias
O custo de armazenar energia em baterias pode cair até 70 por cento ao longo dos próximos 15 anos, com novas tecnologias para baterias solares e outros avanços técnicos puxando a redução de preços, afirmou o Conselho Mundial de Energia em relatório divulgado nesta quarta-feira.
O armazenamento de eletricidade em larga escala poderia tornar mais flexíveis fontes intermitentes de geração renovável, como usinas solares e eólicas, com a possibilidade de injeção rápida de energia na rede quanto há picos de demanda.
Atualmente, a capacidade de geração de energia tem que ser bem maior que o consumo médio para suportar os momentos de pico, mas o armazenamento poderia acabar com esse problema, que exige que a energia seja consumida no mesmo momento em que é produzida.
 Os altos custos de sistemas de bateria hoje impedem que operadores de usinas os utilizem em escala comercial.
Mas os custos de diversas tecnologias de armazenamento cairão conforme a produção aumentar, segundo o relatório do Conselho Mundial de Energia.
Opções de armazenamento vão desde sistemas que envolvem bombas hidráulicas, que respondem pela maior parte das soluções de grande escala atualmente utilizadas ao redor do mundo, até novas e mais avançadas tecnologias que envolvem produtos químicos como o íon de lítio e baterias de sulfurados de sódio.
Essas novas tecnologias de baterias poderiam ter a maior queda de custos até 2030, de até 70 por cento, passando do custo atual de 100-700 euros por megawatt-hora em 2015 para 50-190 euros por MWh em 2030, segundo o relatório.
“Enquanto as baterias atualmente são muito caras para uso em larga escala, avanços tecnológicos estão reduzindo custos, o que significa que esses sistemas de armazenamento poderiam substituir algumas usinas e evitar a construção de outras novas, assim como reduzir a demanda por petróleo”, afirmou o Conselho Mundial de Energia em nota.
Tecnologias que utilizam bombeamento hidráulico teriam a menor redução de custos, por já serem uma solução mais madura, assim como aquelas que envolvem armazenamento de energia por meio de ar comprimido.
Fonte: Revista Exame 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Crise global abre oportunidade para país recuperar a indústria

Publicado por: Indústria Hoje

O que implicaria a adoção de um verdadeiro programa de reindustrialização, com a elevação do valor agregado nos setores produtores de commodities e a substituição das importações.
Oportunidade para a Indústria
Um efeito direto da crise de dimensão global iniciada em 2008, que estabeleceu novo regime de baixíssimo crescimento econômico no mundo, é a mudança expressiva nos preços relativos de bens e serviços. O mais evidente disso é perceptível na trajetória dos preços das commodities, os bens primários associados aos recursos naturais e intensivos em mão de obra barata.
Nos anos 2000, por exemplo, o preço médio do conjunto dos produtos primários subiu quase duas vezes mais que o preço médio em dólar dos manufaturados. Em grande medida, o efeito China foi fundamental para explicar tanto a inundação global da oferta de bens manufaturados de menor preço, como a crescente demanda por produtos primários no mundo.

De um lado, as nações exportadoras de manufaturas tiveram de acomodar para baixo os preços dos seus produtos frente ao avanço da oferta chinesa com menor custo. De outro, os países vendedores de produtos primários assistiram à demanda e aos preços subirem consideravelmente, melhorando a balança comercial e favorecendo os governos não liberais a adotar politicas de crescimento econômico com distribuição de renda, sobretudo, do trabalho.
No século 18 e, em grande parte do século 19, a Inglaterra exerceu a função quase monopolista de exportadora de produtos manufaturados, assim como grande compradora dos produtos primários. Naquela ordem internacional, a expansão do mundo capitalista associava-se à dinâmica da economia inglesa, seja no auge, seja no descenso, como na longa Depressão entre 1873 e 1896 que consolidou a industrialização dos Estados Unidos e Alemanha.
Nesta segunda década do século 21, a desaceleração chinesa é fruto da grave crise de 2008,  iniciada nos países ricos, cujo efeito principal foi a imposição do regime de contida expansão econômica mundial. Por consequência, a diminuição das exportações dos produtos manufaturados chineses, bem como a demanda cadente por produtos primários.
Com isso, o preço médio em dólar das commodities caiu 1/3 após a crise de 2008, enquanto o conjunto das manufaturas manteve estabilizado o preço médio. O reflexo direto da mudança nos preços relativos foi a queda no valor das exportações nos países vendedores de commodities.
Os países que têm inserção no comércio mundial de produtos primários absorveram o impacto da queda dos preços em suas contas externas e internas. Inicialmente buscaram deslocar, quando possível, a fonte do dinamismo externo para o interno, por meio de políticas anticíclicas.
Mas a prevalência do regime de baixo dinamismo na economia mundial levou à exaustão o uso da política econômica comprometida com a sustentação do ritmo de produção e, em consequência, do nível de emprego. Dificilmente encontra-se atualmente algum país exportador de produtos primários em boas condições econômicas.
Isso vale tanto para a Rússia, maior exportador de petróleo, quanto para o Chile, grande vendedor de cobre no mundo. E o Brasil não se manteve diferente desta condicionalidade imposta pela grave crise de dimensão global.
A mudança nos preços relativos provocada pela crise econômica internacional não deveria ser vista apenas enquanto descrição de parte importante dos problemas que atingem o Brasil, mas sim como potencial a ser mais bem explorado para uma nova base de sustentação do crescimento econômico. O que implicaria a adoção de um verdadeiro programa de reindustrialização, com a elevação do valor agregado nos setores produtores de commodities e a substituição das importações.
A ampliação do conteúdo nacional da produção brasileira pressupõe mais do que discurso. Necessita vontade e força política para fazer convergir o que resta da burguesia industrial com o movimento progressista em torno de um programa com começo, meio e fim.
Fonte: Rede Brasil Atual 

domingo, 17 de janeiro de 2016

A nova “luz” da Sony quer ser o cérebro por trás da sua casa inteligente

Por Gizmodo
Texto: Darren Orf
15 de janeiro de 2016 às 17:26

smart-bulb-sony

Chamar a nova smart light da Sony de “luz” é fazer um desserviço a esse dispositivo estranho – ele é muito mais do que isso.
Com o nome nem um pouco atraente de “Multifunctional Light”, este gadget para o teto tem sensores de temperatura, umidade e luminosidade, e pode até detectar quando você está em casa, quando liga a TV, controla o ar-condicionado e toca música. Além disso tudo, ele serve para iluminar, também.
Toda essa magia tecnológica pode ser controlada e customizada com um smartphone, e o dispositivo pode vir tanto na cor branca como em uma versão transparente. Se a super luz da Sony funcionar da forma como é vendida, se tornará definitivamente a melhor lâmpada inteligente do mercado. É meio que uma junção do termostato Nest com o Amazon Echo, só que colocado em um dispositivo de iluminação.
A notícia ruim é que inicialmente ela só sairá no Japão, onde deve chegar às lojas ainda neste primeiro semestre de 2016. Não temos ideia de quanto essa coisa vai custar. Mas se você já se perguntou onde as lâmpadas inteligentes podem chegar, acho que temos a resposta – ao menos por enquanto.
[Sony via Engadget]

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Indústria amplia oferta de serviço para diversificar receita

Publicado por Indústria Hoje

Ao oferecer serviços, as grandes indústrias conseguem fidelizar clientes e firmar contratos de médio e longo prazos.
Oferta da Indústria
Diferentes empresas, originalmente do ramo industrial, estão investindo para deixar de serem apenas fabricantes de determinados produtos e se tornarem fornecedoras de soluções.
Ao oferecer serviços, as grandes indústrias conseguem fidelizar clientes e firmar contratos de médio e longo prazos. Recentemente, companhias como GE, WEG e GM fizeram movimentos desse tipo no Brasil.
“É uma expansão natural da cadeia de valor. O produto criado pela indústria gera uma necessidade de manutenção, por exemplo, que é uma oportunidade de negócios para ela no ramo de serviços”, diz Denis Balaguer, diretor do centro de inovação da EY (Ernst & Young) e coordenador do comitê de inovação em serviços da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).
A GE Transportation, fabricante de locomotivas, acaba de inaugurar em Contagem (MG) um centro de monitoramento e diagnóstico remoto de falhas na frota, o segundo do grupo no mundo e primeiro fora dos EUA.
A nova tecnologia permite que a GE identifique, por exemplo, se a temperatura de uma peça está alta e envie um alerta ao maquinista, evitando uma pane no sistema e o custo de uma peça danificada.
De acordo com o presidente da GE Transportation para a América Latina, Rogério Mendonça, o investimento visa ampliar a atuação da GE como fornecedora de um serviço completo de tecnologia para transporte ferroviário. Em cinco anos, as vendas no segmento de manutenção saltaram de 15% para 40% do faturamento da empresa.
“A tendência é oferecermos contratos full service, em que vendemos a locomotiva, assumimos toda a manutenção da frota do cliente e garantimos uma performance operacional mínima do produto”, explicou Mendonça.
O primeiro deles no Brasil foi fechado há cerca de um ano, com a ALL, que prevê a gestão de 107 locomotivas por 15 anos. Até então, a frota da ALL vinha sendo monitorada pela GE por meio da central nos Estados Unidos.
A GE não está sozinha nesse movimento. A montadora General Motors lançou, no fim de 2015, o serviço OnStar, que conecta motoristas dos veículos da marca a uma central de atendimento capaz de acionar uma ambulância ou dar informações como qual o hotel mais próximo.
Por enquanto, o serviço está disponível para os donos do Cruze e do Cobalt, que terão acesso gratuito à central por 12 meses.
Depois, ele será vendido por assinatura. “Mais que uma oportunidade de negócios, o OnStar é um diferencial competitivo de segurança e conveniência e que foca na fidelização dos clientes à marca”, disse o diretor da GM, Carlos Meinert.
O desejo de oferecer serviços para os clientes já levou grandes indústrias a adquirir empresas de serviço. A fabricante de pneus francesa Michelin, por exemplo, pagou R$ 1,6 bilhão, em 2014 para comprar a brasileira Sascar, de rastreamento de carga.
No fim do ano passado, a fabricante de motores WEG comprou a empresa de manutenção de geradores Efacec Energy Service, de Pernambuco.
De acordo com o diretor superintendente da unidade de Transmissão e Distribuição da WEG, Carlos Diether Prinz, a aquisição foi feita para ajudar a WEG a ganhar relevância na área de “reforma e repotencialização” de geradores antigos de usinas hidrelétricas. Hoje, quase 90% do faturamento da WEG vem da fabricação e venda de motores novos.
Mas, segundo Prinz, há uma oportunidade de crescimento no “retrofit” de motores. A estimativa da WEG é de que cerca de metade das hidrelétricas brasileiras foi construída nos anos 60 e 70 e estão com a vida útil de seus transformadores perto do fim.
Nesses casos, costuma ser mais vantajoso para o cliente fazer uma repotencialização do gerador antigo do que comprar um novo, explica Prinz.
“É um negócio complementar. Não concorre com a venda de motores novos”, ressalta o executivo.
Após a manutenção, o motor volta “repaginado” e recebe a marca WEG.
Fonte: Revista Exame 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Usinas eólicas vão gerar 12% da energia do País

Publicado por Indústria Hoje

As eólicas, que hoje acendem 5% de cada lâmpada do País, caminham para chegar a 12% nos próximos cinco anos.
Aumento da Energia Eólica
A força dos ventos mudou de vez a matriz elétrica nacional. Em 2016, as usinas eólicas, tradicionalmente conhecidas como “fonte alternativa”, entram de vez para a base do sistema de geração do País. Ao todo, serão adicionados mais de 2,7 mil megawatts (MW) de energia eólica ao parque elétrico, o equivalente a 36% de toda a capacidade já instalada pelas usinas de vento do País.
O volume da geração eólica se amplia em 2017, com mais 2,9 mil MW. A expansão eólica só não será superior em relação à fonte hidrelétrica por conta do acionamento de Belo Monte, usina em construção no Rio Xingu, no Pará, que tem previsão de começar a ligar suas turbinas neste primeiro trimestre.

Os dados fazem parte do Plano Anual da Operação Elétrica (PEL), relatório elaborado em dezembro pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e que apresenta os projetos de expansão de geração previstos de janeiro de 2016 a abril de 2018.
A capacidade total de energia do Brasil hoje é de 140 mil MW, dos quais 91 mil MW, ou 65%, são retirados das usinas hidrelétricas. A segunda maior fonte, apontam os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), são as usinas movidas a gás natural, que representam cerca de 10% de cada watt gerado no Brasil, seguidas pela usinas a óleo e biomassa.
As eólicas, que hoje acendem 5% de cada lâmpada do País, caminham para chegar a 12% nos próximos cinco anos. “Até 2020, seremos a segunda maior fonte de geração de energia do Brasil”, diz Élbia Gannoum, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). “Do ponto de vista político, este ano deverá ser péssimo, mas não deve ter grande impacto sobre nosso setor.”
As eólicas não estão imunes aos efeitos da crise econômica e política. Com cerca de 30% de seus componentes importados, os projetos sentem os efeitos do câmbio. Com seus projetos em leilão desde 2009, essas usinas chegaram a ter preços de contratação inferiores a R$ 100 o megawatt-hora. No último leilão realizado, porém, essa cifra saltou para R$ 210 o megawatt-hora.
“Ainda assim, ficou bem abaixo dos projetos de biomassa, com preço em R$ 280, e de usinas solares, com preço na casa dos R$ 320”, afirma Élbia. Concentrada no Nordeste do País, a expansão eólica tem ajudado a garantir o abastecimento de energia em um momento em que os principais reservatórios das hidrelétricas da região sofrem com a pior seca dos últimos 84 anos.
“Em 2015, as eólicas chegaram a gerar 30% da energia consumida no Nordeste e esse desempenho deve prosseguir neste ano. Tem muitos parques gerando acima da expectativa”, comenta o especialista Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc Energia.
Neste ano, serão adicionados 10,1 mil MW de energia à matriz nacional. Mais 13,9 mil MW entrarão em operação entre janeiro de 2017 e abril de 2018. Desse total, 57% virão das hidrelétricas, por conta das operações de Belo Monte e das usinas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio) e Teles Pires, todas instaladas na Amazônia.
Neste mesmo intervalo, as eólicas representarão 29% da expansão total, com 7 mil MW. A solar, que hoje ainda não aparece nos gráficos, vai chegar a 1,7 mil MW e será 7% da capacidade instalada no período, mesmo volume da geração térmica.
Fonte: Estado de Minas

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Projeto piloto testa fibra óptica como meio de transmissão de energia elétrica

Por Indústria Hoje

Tecnologia nacional que utiliza a fibra óptica para transmitir energia elétrica aos sensores e dispositivos eletrônicos instalados remotamente.
Indústria Hoje- energia-eletrica brasil
O CPqD e a Cemig- Companhia Energética de Minas Gerais – estão desenvolvendo uma tecnologia nacional que utiliza a fibra óptica para transmitir energia elétrica aos sensores e dispositivos eletrônicos instalados remotamente. O objetivo é usar a solução para evitar a queima desses dispositivos, provocados por problemas elétricos e admosféricos. A iniciativa tem o apoio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A tecnologia, já em uso na Cemig, consiste na aplicação da técnica Power over Fiber (PoF) – ou transmissão de energia pela fibra óptica – no ambiente de alta tensão das subestações e das linhas de transmissão de energia elétrica, com o objetivo de proteger os equipamentos eletrônicos usados no monitoramento dessas redes. “Devido à sua intrínseca imunidade à alta tensão e a surtos elétricos, a fibra óptica apresenta-se como excelente opção para sistemas de sensoriamento em redes de energia”, afirma João Batista Rosolem, pesquisador da área de sensoriamento óptico do CPqD.
“Essa imunidade se estende aos equipamentos instalados na ponta da fibra óptica, que podem ser alimentados pela energia que flui na fibra, na forma de luz, e que é convertida em energia elétrica no equipamento remoto, com a aplicação da técnica PoF”, explica.Além disso, Rosolem destaca que sistemas PoF não necessitam do uso de baterias e nem de fios metálicos, o que aumenta a robustez do sistema.
Os testes de campo realizados em uma área piloto da Cemig, na região do bairro Buritis, em Belo Horizonte, vêm demonstrando a eficácia da nova tecnologia. Uma microcâmera utilizada no monitoramento desse trecho de uma linha aérea de transmissão da concessionária, por exemplo, vem funcionando há mais de dois anos, sem nunca ter sofrido dano ou interrupção causados por raios ou outro tipo de surto elétrico. A mesma técnica tem sido usada na Cemig em outros projetos para monitorar chaves seccionadoras e transformadores de alta tensão.
“Com a ocorrência constante de casos de queima de equipamentos eletrônicos no país, especialmente em áreas com alta incidência de descargas atmosféricas – como a região metropolitana de Belo Horizonte -, essa aplicação da técnica PoF pode representar uma revolução tecnológica, no que diz respeito à proteção de diversos tipos de dispositivos eletrônicos de baixo consumo”, enfatiza Carlos Alexandre Meireles do Nascimento, engenheiro de tecnologia e normalização da Cemig, que atuou como gerente desse projeto. “Esses dispositivos serão muito utilizados na expansão das redes inteligentes”, acrescenta.
Nascimento destaca outro benefício do uso da fibra óptica em redes inteligentes de energia elétrica: a possibilidade de aproveitamento e compartilhamento da infraestrutura elétrica na expansão das redes de telecom em banda larga. “É possível utilizar a fibra óptica também para levar banda larga a áreas onde não existe rede de telecomunicações”, completa, mas esse teste ainda não está sendo feito.

Fonte: Convergência Digital 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Fibras vegetais da Amazônia são transformadas em telhas ecológicas

Escrito por: Tamires Almeida em 30/dez/2015

Além do fator ecológico, tem a questão do baixo consumo de energia, diferente das telhas com reforço sintético, que gastam bastante energia elétrica.
Telhas ecológicas
Com o objetivo de reaproveitar os resíduos de olarias locais, pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estão em processo de desenvolvimento de ecotelhas – telhas sustentáveis, produzidas com argamassa e fibras vegetais da Amazônia. O protótipo da ecotelha deve ser concluído em 12 meses e a expectativa do grupo de empreendedores é que a tecnologia seja transferida para empresas do setor da construção civil.
Segundo o subcoordenador do projeto de pesquisa no qual a telha está sendo desenvolvida, doutor em Engenharia de Materiais de Construção, João de Almeida, a ecotelha é fruto do sistema de argamassa reforçada com fibras vegetais. A pesquisa tem o  apoio do governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
O sistema consiste na produção de telhas através da prensagem (compressão) de uma argamassa composta por cimento, areia, Metacaulinita (resíduos de cerâmica) água e outros elementos, reforçada com camadas de tecidos de fibras de juta e malva industrializados. “A telha é parecida com a que já está disponível no mercado, no entanto, a telha tem propriedades mecânicas superiores, são mais resistentes, onde estamos utilizando fibras naturais como reforço de uma matriz cimentícia. Já temos no mercado a telha ‘eternit’, que também é um material compósito com fibra de asbesto, fibra proibida devido vários problemas de saúde”, disse o pesquisador.
Segundo João de Almeida, a utilização da metacaulinita na produção da argamassa é o diferencial da telha. O material evita a degradação das fibras ao longo do tempo mantendo-a resistente e durável. Esse resíduo também reduz o consumo de cimento em até 50%, tornando o produto altamente competitivo em todas as suas características. “No nosso caso, estamos utilizando um resíduo cerâmico. A metacaulinita é um tipo de argila queimada. Na nossa região temos esse material em grande quantidade. Temos utilizado, principalmente, resíduos das olarias, pedaços de telhas e tijolos, e fazemos o reaproveitamento desse material. Temos aproximadamente 60 olarias nas proximidades de Manaus, então, estaremos usando o rejeito dessas olarias”, explicou Almeida.
Vantagens da Ecotelha
Sócia no projeto inovador, a engenheira Daiana Góes, disse que a ‘Ecotelha’ será bem aceita pelo consumidor, pois, além da durabilidade e segurança, a telha com fibras amazônicas será mais barata que as comercializadas atualmente. “O diferencial dessa telha em relação as que existem no mercado, primeiramente em questões de preço, que acredito ser o que mais interessa para o comprador, ela (telha) vai ter um percentual menor, que ainda estamos estudando tecnicamente qual será. Conforme estudos prévios já verificamos que teremos um diferencial de preço e isso beneficiará o consumidor”, disse a engenheira.
Segundo ela, a utilização das fibras naturais amazônicas colabora tanto para diminuição do consumo de energia como também para promoção da atividade rural nas comunidades ribeirinhas da região. “Estamos propondo a utilização de tecidos de fibras de malta e juta, que é natural, não se consome energia elétrica para sua produção. Além do fator ecológico, tem a questão do baixo consumo de energia, diferente das telhas com reforço sintético, que gastam bastante energia elétrica no processo de produção. O projeto de pesquisa também incentiva as comunidades ribeirinhas a produzirem mais fibras naturais e, consequentemente, auxilia na sobrevivência das famílias”, disse Daiana.
Fonte: Portal Amazônia