Por Redação do Site Inovação Tecnológica - 20/11/2015
A versão final deverá ter uma estrutura mais leve e menor.[Imagem: ROBO-MATE Project]
Exoesqueleto robótico
Pesquisadores europeus apresentaram o primeiro protótipo de um exoesqueleto para operários da indústria.
Além de dar uma força extra aos trabalhadores, o exoesqueleto promete diminuir o risco de acidentes e lesões, sobretudo no caso de esforços repetitivos.
"O objetivo do projeto Robo-Mate é desenvolver um exoesqueleto robótico amigável, inteligente, cooperativo e leve para trabalhos manuais pesados," disse Hans Wernher van de Venn, do Instituto de Sistemas Mecatrônicos da Suíça.
O projeto Robo-Mate congrega equipes de outros seis países europeus, e promete ter uma versão utilizável na indústria em meados do ano que vem.
O protótipo ainda parece desajeitado e pouco cômodo, mas se mostrou totalmente funcional para ajudar a lidar sem esforço com pesos entre 7 e 15 kg, já que, para lidar com pesos maiores do que esses, normalmente a indústria usa robôs industriais.
Força e segurança
O exoesqueleto possui sensores para reconhecer os objetos que o operador está manipulando, de forma a permitir não apenas que os motores forneçam a força correta para os braços, mas também para limitar as forças de aperto e diminuir o risco de danos aos objetos.
O "operário robotizado" estará mais para Octopus do que para Homem de Ferro. [Imagem: ROBO-MATE Project]
"É claro, um dos principais tópicos da pesquisa é a segurança," disse Venn. "Nós analisamos os riscos potenciais e contamos com sistemas replicados para evitá-los, tais como a força exercida pelos suportes."
Tudo será controlado por uma tela individual, na altura dos olhos do operador, para que ele possa ver o que está acontecendo em volta, incluindo a aproximação de outros equipamentos e robôs.
Perfil obtido de levantamento acústico executado em uma lagoa de decantação em Minas Gerais, mostrando a espessura total do “pacote” sedimentar e a existência de estratos sedimentares intermediários, demonstrando diferentes níveis de compactação do material. [Imagem: Ianniruberto, 2007]
Tecnologia disponível
A tragédia envolvendo o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, em Mariana (MG), trouxe à tona a segurança dessas estruturas, que são parte integrante da mineração em todo o mundo.
O processamento de minérios gera resíduos que são estocados em lagoas de decantação, ou de rejeitos, criadas a partir da construção de barragens denominadas "barragens de rejeito".
Segundo o pesquisador Luiz Antônio Pereira de Souza, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o projeto e a construção das barragens e das lagoas de rejeito precisam ser embasados em técnicas adequadas para garantir sua segurança.
Projeto das barragens de rejeitos
Em uma primeira fase, métodos geofísicos são utilizados para os estudos de caracterização da natureza geológica do terreno onde a barragem será implantada, fornecendo informações relevantes para a avaliação da viabilidade da construção.
Esses métodos incluem os ensaios de refração sísmica, realizados na superfície do terreno. "A partir deles é possível determinar a velocidade de propagação do som nos diferentes materiais geológicos que compõem o terreno investigado, um parâmetro fundamental para o dimensionamento das estruturas a serem implantadas", explica o pesquisador.
Outros métodos geofísicos podem também ser empregados nesta fase do projeto, como eletrorresistividade e reflexão sísmica, que geram dados igualmente correlacionáveis com a natureza geológica do terreno, contribuindo com o processo de avaliação da viabilidade do projeto.
Equipamento para levantamento acústico em barragens, em operação no lago do Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo. [Imagem: IPT]
Monitoramento das barragens
Com a barragem de rejeitos instalada e o lago inundado, os métodos geofísicos denominados "sísmicos" podem ser utilizados para o monitoramento do processo de acúmulo dos sedimentos.
Se aplicados sistemática e periodicamente, os ensaios permitem mensurar a evolução do processo de acúmulo de sedimentos na lagoa de decantação, assim como avaliar se o processo de enchimento da lagoa evolui conforme previsto no projeto original.
"Em determinado momento, o responsável pelo projeto poderá concluir se a lagoa de decantação atingiu o máximo de sua capacidade, determinando a interrupção do processo de lançamento de resíduos e a construção de uma nova bacia de decantação", explica Luiz Antônio.
Métodos geofísicos e acústicos
Quando a lagoa de decantação fica coberta por lama e água, dispõe-se de um método geofísico chamado perfilagem sísmica contínua, que consiste no uso de equipamentos acústicos instalados em uma embarcação de pequeno porte. A embarcação percorre a lagoa de um lado ao outro, possibilitando a determinação da espessura dos estratos sedimentares acumulados ao longo dos anos.
A partir dos ensaios acústicos também é possível avaliar o nível de compactação dos "pacotes" de sedimentos ao longo da coluna sedimentar, pois as ondas acústicas emitidas respondem às mudanças das características físicas das camadas. Ensaios sísmicos, que possibilitam a obtenção de dados desta natureza, são comumente executados com equipamentos que lidam com fontes acústicas de emissão de frequências controladas entre 2 e 20 quiloHertz.
Métodos geofísicos também podem contribuir na investigação do estado de conservação das barragens. Ensaios de eletrorresistividade, executados no corpo da barragem, podem indicar a presença de setores com alguma fragilidade, o que pode ocasionar pontos de fuga ou vazamentos que, em médio ou longo prazo, irão comprometer a estabilidade da lagoa.
"O IPT possui um corpo técnico de alta capacitação e equipamentos geofísicos de última geração para a realização de ensaios geofísicos tanto no corpo da barragem quanto na área submersa. Isso permite gerar um conjunto de dados que contribui efetivamente para a maior segurança das barragens", finalizou Luiz Antônio.
Da BBC Brasil em São Paulo e Brasília Região Nordeste é responsável por 85% da energia eólica produzida no Brasil
Em menos de uma década, o Brasil passou de um país nulo em energia eólica para se tornar o 10º maior produtor do mundo – e, no centro desta mudança, a região Nordeste é protagonista.
Até 2006, a geração de eletricidade a partir do vento era inexpressiva no Brasil. Isso havia começado a mudar antes, em 2002, com o lançamento de um programa de incentivo a fontes de energia renovável pelo governo federal.
E ganhou força a partir de 2009, quando passaram a ocorrer leilões para a criação de usinas e a contratação do fornecimento desse tipo de energia, como o que foi realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta sexta-feira (saiba mais no quadro ao lado).
Mas a geração de energia eólica é alvo de críticos que veem prejuízos ambientais e privatização de áreas comunitárias para a criação dos parques. Além disso, ainda há dificuldades na transmissão energética.
Há hoje no país 322 usinas, com capacidade de produção de 8,12 gigawatts, o equivalente à usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, a segunda maior em operação no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Essa fonte de energia responde atualmente por 5,8% da matriz nacional e abastece 6 milhões de residências.
De acordo com o Conselho Global de Energia Eólica, o Brasil tem a 10ª maior capacidade de geração do mundo e, em 2014, foi o quarto que mais ampliou esse potencial, atrás de China, Alemanha e Estados Unidos.
Essa transformação fez do Nordeste o polo da energia eólica no Brasil: a região responde por 75% da capacidade de produção nacional (o restante se concentra no Sul do país) e 85% da energia gerada de fato no país por essa fonte. Dos cinco maiores Estados produtores, quatro são da região: Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Piauí – o Rio Grande do Sul completa a lista.
Bons ventos
O que torna o Nordeste tão atraente para esse tipo de atividade?
Trata-se de uma vocação natural da região, segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, opinião compartilhada por especialistas ouvidos pela reportagem.
"O vento brasileiro está predominantemente localizado na parte setentrional do Nordeste, com potencial identificado de 300 gigawatts", diz Braga à BBC Brasil. "Esse potencial tem se revelado cada vez mais eficiente, levando a um investimento significativo nessa região."
Élbia Gannoum, presidente da Abeeólica, explica que, enquanto a média de produtividade de um gerador eólico é de 28% a 30% no mundo e supera 50% no Brasil, este índice atinge picos de 83% no Nordeste.
"Além de ter uma velocidade bem superior à necessária para geração de energia, o vento na região é unidirecional e estável, sem rajadas. Isso significa que a energia é produzida o tempo todo", afirma Gannoum.
"Este tipo de vento vem do Atlântico e chega a mais três outros países: Etiópia, Venezuela e Somália. Mas eles não têm parques eólicos para aproveitá-lo."
Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que é vinculada ao Ministério de Minas e Energia, afirma que a produção eólica faz do Brasil e, por consequência, do Nordeste, um "caso de sucesso em energia eólica no mundo" que seria estudado "por países da Europa, como a Alemanha, e outros da América Latina".
"Fui convidado para integrar a mesa de abertura do seminário da associação europeia de energia eólica. Será emblemático ter um brasileiro participando de um evento feito por europeus e para europeus. Isso mostra o interesse do mundo por nós."
Image copyrightMarcos Santos I USP ImagensImage captionVentos do Nordeste tem um ótimo potencial para geração de energia
Expansão
Os primeiros passos para o estímulo à geração de energia eólica no país se deram em 2002, com a criação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica pelo governo federal, que tinha a meta de diversificar a matriz energética nacional por meio de subsídios. O programa foi regulamentado por decreto em 2004 e passou a funcionar na prática em 2005.
Quatro parques eólicos entraram em operação no país em 2006, segundo a Operadora Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Três anos depois, passaram a ser realizados no país leilões voltados para a construção de parques e usinas eólicos.
Nesse modelo, a Aneel determina a quantidade de energia necessária a ser fornecida. As empresas interessadas apresentam projetos para atender a demanda, de acordo com critérios estabelecidos do governo, entre eles o valor máximo a ser cobrado pela energia. Vencem aqueles com a melhor relação entre eficiência e custo. O contrato dura 20 anos.
O número de usinas em operação no país passou, então, a crescer exponencialmente, especialmente no Nordeste, com destaque para o ano passado, com um recorde 47 complexos, parques e usinas inaugurados.
"Como o leilão é um processo competitivo, isso favoreceu esta região, que tem o melhor potencial eólico do país", afirma Gannoum, da Abeeólica.
Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), ressalta que a iniciativa brasileira também foi beneficiada pela crise econômica mundial de 2008.
"Esta crise fez com que sobrasse muito equipamento e houvesse capacidade ociosa na Europa, e isso migrou para o Brasil", afirma Pires. "Ao mesmo tempo, determinados Estados criaram políticas próprias de incentivo a este tipo de energia, reduzindo tributos. O que vemos hoje é um resultado da combinação destes fatores."
Tecnologia e benefícios
Image copyrightEloi Correa I Governo da BahiaImage captionAtividade gera empregos e renda na região, apontam especialistas
Avanços tecnológicos também contribuíram para tornar o processo mais competitivo no Brasil. Nos últimos dez anos, as torres de geradores ficaram mais altas, passando de 50 metros para os 100 a 120 metros atuais, o que permite captar ventos mais velozes. Ao mesmo tempo, a potência das máquinas triplicou, para 3 megawatts.
Os geradores mais eficientes reduziram o custo da energia eólica. Hoje, o preço médio é 45% menor do que há dez anos, fazendo com a eólica seja a segunda energia mais barata no país, só atrás da hidrelétrica.
Tomalsquim, da EPE, alega que isso criou um "círculo virtuoso" de atração de investimentos.
Um exemplo está na CPFL Renováveis, uma das principais produtoras de energia eólica do país. O grupo do qual a empresa faz parte venceu seu primeiro leilão de energia eólica em 2009. Hoje, a CPFL Renováveis tem 34 parques eólicos, 30 deles no Nordeste, e mais três empreendimentos em construção na região.
"Acreditamos muito nesta fonte de energia", diz Alessandro Gregori, diretor de novos negócios da empresa.
No ano passado, o setor criou 40 mil postos de trabalho, segundo a Abeeólica, que prevê outros 50 mil novos postos de trabalho para este ano.
Especialistas explicam que, no Nordeste, a criação destes parques ocorre muitas vezes em regiões pobres, como o sertão, onde há ventos melhores do que no litoral.
Eles alegam que as empresas constroem os parques em terrenos usados por pequenos produtores rurais, criando uma renda extra para as famílias que antes viviam apenas destes cultivos.
Gannoum, da Abeeólica, diz que "a instalação dos geradores não impede que o agricultor continue com seu cultivo. As duas atividades podem conviver".
Tolmasquim destaca que também são criados empregos com a fabricação, instalação e manutenção de equipamentos.
Desafios
Image copyrightPRImage captionImpacto ambiental e infraestrutura deficiente são desafios da energia eólica no país
Especialistas apontam, no entanto, problemas e desafios para a expansão da geração de energia eólica no Nordeste. Jorge Antônio Villar, coordenador do Centro de Energia Eólica da PUC-RS, alerta ser preciso ter atenção aos prejuízos ambientais que ela pode causar.
"Estudos realizados no Ceará mostram que os parques instalados no Estado desestruturaram a dinâmica ambiental e ecológica de dunas locais, além de privatizarem áreas localizadas entre comunidades litorâneas e as praias sobre as quais elas tinham direito natural", afirma Villar.
"O crescimento da atividade deveria contar com uma maior preocupação relativa aos métodos e procedimentos e uma avaliação mais rigorosa dos impactos socioambientais."
Tolmasquim, da EPE, destaca que os empreendimentos só são contratados sob licença ambiental.
Por sua vez, Gannoum, da Abeeólica, alega que os prejuízos da atividade são "mínimos" e que a indústria tenta reduzi-los. "Antigamente, os geradores faziam um grande ruído, mas a tecnologia foi alterada para acabar com isso, por exemplo."
Outro aspecto diz respeito à infraestrutura. O ritmo de expansão de parques e usinas não tem sido acompanhado na mesma medida pela construção de linhas de transmissão para levar esta energia até a população.
Em 2014, uma auditoria do Tribunal de Contas da União estimou que a falta de linhas impediu, entre julho de 2012 e dezembro de 2013, que 48 parques e usinas no Rio Grande do Norte e na Bahia escoassem sua produção, gerando um prejuízo de R$ 929 milhões. "Isso ainda é um desafio no Nordeste e freia a expansão eólica", diz Gregori, da CPFL.
Segundo o governo federal, entre 2015 e 2018, os investimentos em linhas somarão R$ 61 bilhões. Em agosto, o governo ainda anunciou o leilão para construção de 37,6 mil quilômetros de linhas, com um investimento de R$39 bilhões até 2018 e outros R$ 31 bilhões após este período.
No entanto, Pires, do CBIE, afirma que os atrasos na entrega destes projetos são frequentes: "Este problema ainda está longe de ser resolvido".
Por Redação do Site Inovação Tecnológica - 16/11/2015
O líquido poroso tem grande potencial como meio de captura e armazenamento de carbono.[Imagem: Queens Universityelfast]
Líquido com poros
Pesquisadores conseguiram sintetizar um líquido poroso, um material com potencial para ser usado em uma enorme gama de novas tecnologias, incluindo a captura de carbono.
O novo líquido mostrou-se capaz de dissolver quantidades incrivelmente grandes de gás, que é absorvido pelo "buracos" no líquido.
Isto pode abrir caminho para muitos processos industriais e químicos mais eficientes e mais verdes, incluindo o procedimento conhecido como captura de carbono - coletar o dióxido de carbono (CO2) de grandes fontes emissoras, por exemplo, das chaminés das usinas termoelétricas, que queimam combustível fóssil, e armazená-lo para impedir sua liberação na atmosfera, o que muitos cientistas acreditam contribuir para o aumento da temperatura global.
Líquido com buracos
"Materiais que têm buracos permanentes, ou poros, são tecnologicamente importantes. Eles são usados na fabricação de uma vasta gama de produtos, de garrafas de plástico à gasolina. No entanto, até recentemente, esses materiais porosos eram somente sólidos," contextualiza o professor Stuart James, da Universidade Queens de Belfast, membro da equipe que desenvolveu o líquido poroso.
Os materiais sólidos mais utilizados são as zeólitas e as estruturas metal-orgânicas, ou MOFs.
O segredo do líquido poroso está em moléculas com grandes vãos livres, que podem aprisionar moléculas menores. [Imagem: Nicola Giri et al. - 10.1038/nature16072]
"O que fizemos foi projetar um líquido especial de baixo para cima - nós projetamos o formato das moléculas que compõem o líquido de forma que o líquido não pudesse ocupar todo o espaço. Devido aos buracos vazios no líquido, descobrimos que ele era capaz de dissolver quantidades incrivelmente grandes de gás," disse James
Princípio totalmente novo
"Estes primeiros experimentos são necessários para entender este novo tipo de material, e os resultados apontam para aplicações interessantes a longo prazo que dependem da dissolução de gases.
"Serão necessários alguns anos de pesquisas adicionais, mas se pudermos encontrar aplicações para estes líquidos porosos isto poderá resultar em processos químicos novos ou melhorados.
"No mínimo, conseguimos demonstrar um princípio totalmente novo - que, criando buracos em líquidos, podemos aumentar drasticamente a quantidade de gás que ele pode dissolver. Estas propriedades notáveis sugerem interessantes aplicações a longo prazo," finalizou o pesquisador.
Bibliografia:
Liquids with permanent porosity
Nicola Giri, Mario G. Del Pópolo, Gavin Melaugh, Rebecca L. Greenaway, Klaus Rätzke, Tönjes Koschine, Laure Pison, Margarida F. Costa Gomes, Andrew I. Cooper, Stuart L. James
Nature
Vol.: 527, 216-220
DOI: 10.1038/nature16072
Parques tecnológicos alavancam os recursos públicos iniciais alocados na construção desses empreendimentos ao gerar investimentos das empresas em centros de pesquisa e desenvolvimento.
Ambiente de inovação que abriga, em um mesmo espaço, empresas de base tecnológica de um ou mais setores, universidades e instituições de pesquisa, os parques tecnológicos vêm aumentando em número no Brasil e no mundo em razão dos impactos econômicos positivos para as cidades e o país onde estão sediados.
O Porto Digital, por exemplo, – um polo de desenvolvimento de softwares e de economia criativa situado em Recife, que iniciou suas atividades com um investimento de R$ 33 milhões derivados da privatização de uma empresa do Estado de Pernambuco -, gerou ao longo de seus 15 anos de existência 7,5 mil empregos e as empresas sediadas no complexo faturam atualmente R$ 1 bilhão por ano.“Os parques tecnológicos alavancam os recursos públicos iniciais alocados na construção desses empreendimentos ao gerar investimentos das empresas em centros de pesquisa e desenvolvimento, empregos qualificados e dinamizar a economia”, explica Guilherme Ary Plonski, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP).
Já as 40 empresas instaladas no parque tecnológico da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, criado pela universidade norte-americana em 1994, geram um faturamento de US$ 2,3 bilhões por ano e foram responsáveis pela criação de 6,5 mil postos de trabalho, com salário equivalente ao dobro da média do estado americano, exemplificou Plonski.
“As empresas precisam de ambientes de inovação para alavancar a competitividade mediante a cooperação com outras empresas, além de universidades e institutos de pesquisa. E um desses ambientes de inovação é um parque tecnológico”, afirmou o especialista, que é conselheiro daInternational Association of Science Parks and Areas of Innovation (IASP).
Parques de primeira geração
De acordo com Plonski, os primeiros parques tecnológicos – chamados de primeira geração – foram criados especialmente nos Estados Unidos, entre as décadas de 1950 e 1960, por diferentes razões.
O Parque de Pesquisas Stanford, por exemplo, considerado o primeiro parque tecnológico do mundo, foi construído em 1951 a partir de uma decisão da Universidade de Stanford. A instituição passava por uma crise financeira e decidiu dar um uso econômico para alguns terrenos que a família Stanford deixou em testamento para usufruto da universidade.
“A reitoria da universidade começou a permitir, na época, que empresas fossem instaladas naqueles terrenos e percebeu que um conjunto importante dessas empresas era oriunda de São Francisco e intensivas em conhecimento”, disse Plonski.
Já em 1959 foi construído o Parque de Pesquisas Triângulo, na Carolina do Norte, por iniciativa do governo do estado, situado no sul dos Estados Unidos. Antevendo que os três setores básicos da economia da Carolina do Norte na época – o fumageiro, o moveleiro e o têxtil – poderiam enfrentar crises econômicas em curto e médio prazo, o governo começou a estudar medidas para diversificar a economia do estado.
Para isso, viu que poderia contar com o apoio de três universidades existentes no estado americano – as universidades de Duke, Estadual da Carolina e Carolina do Norte em Chapel Hill -, localizadas a uma distância de cerca de 20 minutos uma da outra, que formam o “triângulo da pesquisa”, como a região é conhecida.
“Hoje há 200 empresas instaladas no parque, que geram 50 mil postos de trabalho, boa parte qualificados”, disse Plonski.
Parques tecnológicos no Brasil
No Brasil, segundo o professor, as primeiras propostas de criação de parques tecnológicos começaram a surgir no final da década de 1980 e ganharam maior força a partir de 2000, quando foram construídos os primeiros empreendimentos do gênero no país.
Atualmente, há 94 iniciativas de parques tecnológicos, das quais 24 estão em operação, disse Plonski: “Há uma grande concentração de parques tecnológicos nas regiões Sul e Sudeste do país, mas também há outros importantes fora dessas áreas.”
No Estado de São Paulo existem hoje 28 iniciativas para implantação desses empreendimentos, sendo o Parque Tecnológico de São José dos Campos o primeiro a receber o status definitivo, reconhecido pelo Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec). Desde então, outros cinco também receberam este título: Parque Tecnológico de Sorocaba, Parque Tecnológico de Ribeirão Preto, Parque Tecnológico de Piracicaba, Parque Tecnológico de Santos e Parque Tecnológico de São Carlos (ParqTec).
Hoje há 14 iniciativas com credenciamento provisório: Araçatuba, Barretos, Botucatu, Campinas (com cinco iniciativas: Polo de Pesquisa e Inovação da Unicamp, CPqD, CTI-TEC, Ciatec II e Techno Park), Parque Universidade Vale do Paraíba (Univap), Santo André, São Carlos EcoTecnológico, São José do Rio Preto e São Paulo (duas iniciativas: Jaguaré e Zona Leste).
Painéis solares no bairro do Brooklyn, Nova York (AP Photo/Mark Lennihan)
O que é? O incentivo fiscal é uma das formas de promover a produção de energia limpa nos imóveis. Em 7 de outubro, o governo federal decretou que os consumidores que produzem uma parcela da energia que usam estão isentos do PIS-Cofins, um imposto cobrado na conta de luz. Aqui você fica sabendo o quanto isso desonera quem produz energia e quais as ferramentas disponíveis para calcular os custos e a economia gerada pela produção autônoma por meio de painéis solares.
Minha casa, meu teto solar
A energia foi um recurso determinante para o crescimento das grandes cidades e nós já abordamos essa relação entre núcleos urbanos e quilowatts aqui no Outra Cidade. A produção descentralizada de energia limpa é uma das alternativas para tornar os espaços urbanos menos vulneráveis a falhas no complexo sistema de distribuição que transporta esse recurso das usinas para o consumidor final. A possibilidade de ampliar o número de pequenos produtores é um passo importante para tornar os municípios mais sustentáveis e menos dependentes desses sistemas. A desoneração de um imposto é pequeno passo rumo a autonomia energética, mas não deixa de nos aproximar de um futuro com mais energia “caseira”.
O pagamento dos tributos PIS- Cofins sobre energia elétrica equivalia a ceder 10% da energia produzida em casa para o fisco. Somado ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a proporção desses impostos sobre a produção autônoma era de 30%. O governo federal aboliu a cobrança do PIS-Cofins, mas cabe aos governos estaduais determinar que os pequenos geradores também se tornem isentos do ICMS.
Em abril, uma mudança no convênio que determina a cobrança de ICMS sobre os pequenos produtores permitiu que os estados tornassem essas pessoas isentas da taxa. O convênio modificado ganhou a adesão dos estados de São Paulo, Pernambuco, Goiás, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, enquanto outros optaram por continuar cobrando o tributo.
Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) se todos os estados optassem pela desoneração do ICMS sobre a conta de quem produz parte de sua própria energia, o país teria 55% a mais de sistemas instalados em 2023 em comparação a um cenário no qual continuasse valendo o convênio anterior.
Ser ou não ser um pequeno gerador
Se você se animou com a isenção da taxa PIS-Cofins e está pensando em começar a produzir pelo menos um pouco da energia que consome, algumas ferramentas podem te a ajudar a calcular se vale a pena bancar a instalação de painéis solares. Uma delas é o Solariza, que mapeia colaborativamente o potencial de produção de energia solar no país.
Solariza calcula o potencial de produção de energia e a economia resultante da instalação de painéis solares (foto: divulgação)
Usando as imagens de satélite do Google Maps, o Solariza permite que você escolha um imóvel e calcule a porcentagem útil do telhado, o potencial de geração de energia, o custo do sistema e quanto dinheiro seria possível economizar durante a sua vida útil, estimada em 25 anos. Como o objetivo 6 milhões de residências nas quais quilowatts poderiam ser produzidos de maneira limpa, o site funciona como um game, você estima a produção de uma construção e se torna um “solarizador”. Quem acumular mais telhados “solarizados” ganha os painéis e o serviço de instalação dos mesmos em sua residência.
O número de 6 milhões de casas foi escolhido porque elas teriam o potencial de produzir juntas a mesma quantidade de energia das usinas termelétricas de Piratininga (SP), Candiota (RS), e as usinas nucleares Angra 1 e 2. Logo, elas poderiam produzir de maneira limpa e descentralizada o que as usinas produzem de forma suja e concentrada.
O calculo feito pelo Solariza não considera fatores externos como árvores e nuvens que podem fazer sombra sobre os painéis fotovoltaicos. Logo, a estimativa resultante dos cálculos feitos pela ferramenta pode representar variações para mais ou para menos em relação a quantidade de energia que seria produzida pelo sistema instalado.
Medições mais precisas são feitas pelo Google Sunroof, por exemplo, que também ajuda a estimar quanta energia poderia ser produzida no topo dos imóveis usando o sol como fonte. Por meio da modelagem 3D, o site calcula quanto espaço o telhado possui para a instalação dos painéis solares. Outros dados analisados são: a posição do sol ao longo do ano, o tipo de cobertura nublada e a temperatura usual da vizinhança. Além disso, o mapeamento considera a quantidade de sombra resultante das construções próximas.
Google Sunroof considera elementos externos para calcular o potencial energético de sistemas fotovoltaicos (foto: divulgação)
A quantidade de elementos levados em conta resulta em um cálculo mais preciso, mas atualmente a ferramenta só está disponível para as cidades americanas de Boston, San Francisco e Fresno. Nesses municípios, a incidência de raios solares não é tão abundante quanto aqui no Brasil e as chances das casas não recebam luz suficiente para compensar a instalação do sistema são maiores. Considerando todos esses fatores, é feita uma estimativa do número de horas aproveitáveis de luz do sol que o telhado selecionado terá durante o ano. O Google tem planos de expandir o Sunroof para que esses cálculos possam em todo o território dos Estados Unidos.
A conta de luz x conta do painel solar
Linhas especiais de crédito, liberação do uso do fundo de garantia e leis que determinem a instalação de painéis solares em novas construções são algumas das formas possíveis de transformar o potencial brasileiro de produção de energia solar em lâmpadas acesas, celulares carregados e banhos quentes. Ainda assim, a desoneração é um bom começo para incentivar proprietários de imóveis a se tornarem pequenos geradores aumentando a autonomia, diminuindo os custos e reduzindo o impacto ambiental para produção da energia elétrica.
A cidade vertical projetada pelos escritórios OMA e Buro Ole Scheeren em Singapura, conhecida como The Interlace, foi eleita o Edifício do Ano 2015 ao fim doWorld Architecture Festival (WAF). Elogiada por ser “um exemplo de pensamento arquitetônico ousado e contemporâneo”, segundo o diretor do WAF, Paul Finch, o projeto é o oitavo a receber a honraria e é considerado pelo júri uma “abordagem nova e radical em relação ao habitat contemporâneo em um ambiente tropical.”
Além do edifício do ano, também foram anunciados os vencedores das categorias Projeto Futuro, Paisagem, Projeto de Pequena Escala e o Color Prize. Conheça os vencedores, a seguir.
The Interlace é um dos empreendimentos residenciais mais ambiciosos da história de Singapura, criando uma intrincada rede de habitações e espaços sociais entrelaçados com o ambiente natural. Em vez de seguir a tipologia comum de habitação da região – conjuntos de torres isoladas – o que é vertical torna-se horizontal, e o conjunto é composto por 31 blocos de apartamentos de seis pavimentos de altura e 70 metros e comprimento cada. Com os blocos empilhados em arranjos hexagonais em torno de oito grandes pátios abertos, a proposta cria uma rede de ambientes internos e externos que conformam uma variedade de espaços compartilhados e privativos em diversos níveis.
Este é um impressionante projeto que cria uma nova tipologia urbana que mitiga o impacto destrutivo da rodovia expressa e gera uma oportunidade a partir de um espaço público abandonado. O edifício terá um impacto positivo em muitas agendas municipais e imobiliárias de todo o mundo.
Paisagem do Ano: Yanweizhou Park (China) / Turenscape International
Paisagem do Ano: Yanweizhou Park (China) / Turenscape International . Cortesia de WAF
Yanweizhou Park apresenta uma solução ecológica replicável e resiliente para a gestão de grandes inundações. Localizado no encontro de três rios, cada um com aproximadamente 100 metros de largura, o projeto faz uso de uma estratégia inovadora para criar uma margem escalonada para os rios coberta com vegetação nativa adaptada a inundações. Os pavilhões e caminhos de pedestre do parque são integrados aos níveis da margem e se adaptam às inundações sazonais.
O projeto foi elogiado por seu “impacto significativo na mitigação das inundações e uso de pontes para conectar as localidades de maneira lúdica, criando comunidades em ambas as margens do rio.”
O prêmio Projeto de Pequena Escala do Ano foi concedido à proposta Lidingövallen, um estádio de futebol em miniatura na Suécia, projetado por Dinell Johansson. Elogiado por sua resposta imaginativa e grande impacto, apesar da pequena escala, os jurados chamaram o edifício de “um resultado heroico”.
Recognized as the best use of color across the year’s 338 shortlisted entries, the judges felt that the use of color contributed to a strong piece of architecture that saw form and color integrate seamlessly.
Todos os comentários foram feitos pelo júri do WAF